Bom, tudo que poderia dar errado essa semana deu, e olha que hoje só é quarta. Minha vontade era sair do meu corpo por uns tempos, passear por aí, só em espírito. Pra isso, só morrendo, coisa que eu não quero agora. Como eu não sou depressiva nem suicida (tenho um amigo que certamente vai reclamar da melancolia desse post, faço o próximo sobre carnaval, cerveja e afins, pra provar que eu sou uma pessoa feliz na maior parte do tempo) tenho mais é que parar de reclamar do meu coração que só sabe boicotar o meu cérebro, e lembrar do que um ex professor de literatura (por sinal, excelente) me disse a respeito de superar adversidades. Resiliência. Para a física, é a propriedade que alguns materiais tem de acumular energia quando submetidos a uma pressão muito grande sem que ocorra ruptura. Possíveis deformações podem acontecer no objeto, a ponte por exemplo, dilata. O que importa é que o objeto em questão continua firme e forte, não intacto, mas inteiro. Para psicologia, resiliente é a pessoa que ao passar por um problema, por uma situação de estresse, de tristeza, se permite sofrer sim, afinal chorar é sempre bom pra aplacar a dor. Após esse período, porém, esse alguém é devolvido pro mundo muito melhor, muito mais forte, absorvendo cada milímetro de sofrimento da experiência passada não mais como dor, mas como aprendizado. Para mim, resiliente é a florzinha da imagem do post, que como Drummond uma vez já disse “É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio”
quarta-feira, 4 de maio de 2011
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Muito prazer, meu nome é Otário
Nasci no dia 16 de junho de 1993. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu (oi, Mário Quintana!). O que se espera desses textos de apresentação são confissões, detalhes e fofocas, não a minha biografia. Então lá vai. Na verdade eu nunca escrevi nada que não fosse uma confissão, eu sou todas as bobagens que escrevo (e as não bobagens também). Eu sou um projeto de jornalista, que criou o blog para acompanhar o amadurecimento literário. Aliás, como eu adoro essa palavra! Amadurecimento. Que implica crescimento, que implica ser mais estável, que implica ser menos volúvel, que implica sofrer menos. Ou não. Não sei ao certo, sou instável, volúvel e impulsiva. Quando eu amadurecer eu faço outro post falando a respeito. Eu tenho alguns amigos, tenho bons livros, tenho um cartão de crédito, tenho sorte, as vezes tenho até juízo, mas quando eu mais preciso eu tenho a minha mãe. E tenho também minha ansiedade que me faz companhia desde sempre. Eu sou toda incerteza. Mas não sou toda medo! Aprendi com o Gessinger que se é o medo que te move você deve ficar parado onde está. E no mais, na falta de algo melhor, nunca me faltou coragem. Eu sou todas as citações de Engenheiros acima. Eu sou também o projeto intelectual do meus primos-irmãos (oi Dudu, oi Bruno!). Sou as músicas que eles me ensinaram a ouvir, filmes que eles assistiram comigo, as leituras que ele me indicaram, era, até mesmo, flamengo, até ter idade pra entender que futebol é um saco. Já fui Forfun, já fui Harry Potter, já fui flamengo, hoje sou só mudança. A única certeza permanente.
P.S: Obrigada a Lucas e Laércio por me ajudarem com o blog, a Arthur por me aconselhar a escrever nas noites de insônia e a Dudu e Bruno, bom, só por existirem na minha vida mesmo.
terça-feira, 26 de abril de 2011
Sexismo
Outro dia, passeando por uns sites, encontrei a imagem do post. “Que absurdo” pensei. Mas somente quando analisado da ótica da sociedade atual. Se esse anúncio existe é porque existiu um publicitário boçal o suficiente para criá-lo e consumidores (mais boçais ainda!) que certamente não o estranhariam.
A boa publicidade é impactante e choca de maneira positiva. A mulher rebolando semi nua na propaganda de cerveja não só não é revolucionário como também flerta com um dos clichês e esteriótipos sociais mais antigos do mundo, o da gostosa. E se você me perguntar, acho-o tão sexista e ofensivo quanto o da mulher levando um sopro de cigarro na cara. Por que? Porque mulher não é pedaço de carne.
A tradução da frase é a seguinte: Sopre o fumo na cara dela e ela o seguirá em qualquer lugar. Porque não existe nada mais sensual do que levar uma baforada de cigarro na cara. Eu, particularmente, prefiro enfiar a cabeça numa chaminé.
domingo, 24 de abril de 2011
O herói sem coração
O herói sem coração é antes de tudo um fraco, um negador. Para ser feliz é necessário negar problemas, esquecer as tragédias modernas, renegar as tristezas do mundo sem se importar com elas, não por maldade, mas por uma crua imaturidade.
O herói sem coração vive da velocidade dos relacionamentos superficiais, sem dor, sem afetos profundos, orgulhoso do seu desapego e da sua rapidez.
O herói sem coração é uma mensagem engraçada, uma cantada inteligente, uma estampa bonita, mas não mais do que isso, tem a profundidade de uma poça d’água.
Mas chega o dia em que o herói se deprime, e só sobra o desencanto de uma vida vazia. Aí então ele entende que o amor é a recusa desse desencanto, que ninguém é uma ilha, e que até mesmo ele precisa de algo que lhe dê a esperança de ‘sentido’. Entende também que o amor, ao contrário do que ele pensava, não é o abrigo dos fracos que temem a solidão. O amor está naqueles momentos em que tudo que existe no mundo se explica, tudo para em um suspiro, aqueles pequenos instantes de felicidade sem motivo. O amor exige coragem, o herói sem coração é, acima de tudo, um covarde.
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